Destruir e Recriar

Estão onde precisam de estar?

Atribui-se a Isaac Newton o conceito de que a energia nunca se perde, mas, ao invés disso, muda de forma. Alguns ramos de Bruxaria e Neopaganismo mais ecléticos têm adotado este conceito no que toca às suas práticas e crenças, e, apesar de [já] não ser um praticante de Bruxaria, sou forçado a concordar com a sua validade para além do domínio da Física.

Várias religiões apresentam conceitos semelhantes, ainda que relativamente a outros assuntos. É certo que os exemplos mais famosos são os empregues no Hinduísmo: Kālī, uma imponente e feroz deusa provida de quatro braços, sendo, portanto, detentora do potencial de criar e destruir; este último dom costuma ser enfatizado, no seu papel de devoradora. Por sua vez, Śiva, marido de Kālī, é encarregue de criar e proteger o cosmos, o que não o impede de deter o poder de o findar, para depois o recriar.
Por outro lado, o exemplo que mais me é familiar e querido é aquele em que os povos Celtas depositaram a sua fé. Num universo sujeito a ciclos, nada permanece inerte, pelo que é perfeitamente expectável que tudo o que conhecemos mude de forma. Tal como as estações ditam o vigor de toda a vida. Tal como a lua parece desvelar e velar-se ao longo de cada mês. Tal como aquilo que deve alcançar os deuses deve ser quebrado.

Assim sendo, todos passamos por períodos em que temos de destruir e/ou ser destruídos. Recuso-me a acreditar que haja alguém que não olhe para a iminente desconstrução sem temor. Porém, para alguns de nós, permanece, como uma rocha firme, o conhecimento de que o processo seguinte é a recriação. Certamente virá uma posterior nova fase de destruição, mas de pouco (ou nada) vale pensar no fim de um ciclo que nem sequer começou.

A este ponto será óbvio que eu próprio prevejo o fim de um ciclo. Ou melhor, não o prevejo, vejo-o claramente. Como uma onda da qual não posso escapar… nem quero, por mais que o impacto possa doer.
Não deve ser segredo para muitos que a mina vivência religiosa já não é o que fora há… oito anos. A minha “conversão” para o Politeísmo Celta coincidiu com uma tremenda perda de privacidade, agravada com uma má gestão e conhecimento de como a ciclicidade funciona. Não quero, com isto, dar a entender que foi uma decisão errada e que todas as experiências foram inúteis. Pelo contrário: a mudança ocorreu quando devia ter ocorrido. O problema foi que tentei ter algo que me era impossível, na altura, e o continuar a ser até hoje. No entanto, tenho esperança de que esta impossibilidade também seja destruída com o fim do ciclo.

No que toca a religião, reconheço que vou ter de começar quase a partir do zero. Talvez seja a partir do número um, já que — ao contrário do que aconteceu há sete anos — disponho de conhecimento suficiente. Ainda assim, livrar-me-ei do que não necessito, do que não mereci, do que adquiri por vaidade e por desejo de fingir que tudo estava bem.
Recomeçarei como semente que deseja tornar-se árvore. Onde? Não sei, as sementes não escolhem o seu lar.

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