Um Assunto Ornitológico

Acredito que os animais podem ser mensageiros e manifestações; de quem ou do quê exatamente, depende da religião; os católicos de meios pobres e/ou rurais tinham as suas próprias lendas, mas como devoto de deuses da Gália, Galícia, e Lusitânia, isto chega a ser uma parte importante da minha vivência. Já realizei divinação com ajuda de pássaros várias vezes, mas os maiores presságios têm sido, talvez, os que não foram requisitados.

Ontem, algumas horas antes de dormir, questionei-me como poderei voltar a prestar culto aos deuses após tantos meses de inatividade. Hoje, alguns minutos depois de acordar, senti-me petrificar por voltar a ouvir um ruído que não ouvia há vários meses. Era o chamado de um convidado que não vinha até minha casa desde 2015: um corvo (Corvus corone). Só há um corvo por cá; já o vi, sempre sozinho, em outros pontos da cidade, e o seu típico grasnar, forma, e tamanho torna claro que não é um melro ou uma pega. Eis uma fotografia dele, tirada no dia 2 de setembro de 2015:

2015-09-02 19.26.05

Em 2015, associei-o a Lugus e, posteriormente, essa associação veio a comprovar-se através de comunicação com outra pessoa.
Porém, tanto em 2015, como hoje, este corvo surge quando um fenómeno se verifica: morte. Há dois anos, ele preparava-se para comer uma ratazana que apareceu no meu quintal. Desta vez, surgiu quando uma rola-turca (Streptopelia decaocto) caiu, já morta, de uma árvore. Porém, não fui eu que encontrei a pomba, mas sim os meus pais, e o corvo não teve oportunidade de a levar para longe para a comer, tal como fizera com a ratazana.

Collared_Dove_(Streptopelia_decaocto)

A pomba tinha ferimentos que, segundo a descrição feita pelos meus pais, parecem ter sido causados por humanos. Ainda assim, não me preocupo com ela, pois não foi algo que eu tenha testemunhado; não foi um presságio dirigido a mim.
O que me intriga é que o corvo tenha voltado, exatamente no mesmo mês, e sete dias depois de se cumprirem dois anos desde a sua última visita, que se verificou devido a circunstâncias semelhantes. Afinal, já morreram outros animais no meu quintal e terreno. Ainda assim, existe a possibilidade de este corvo poder ser enviado não só por Lugus; existem pelo menos mais três divindades da Gália que o têm como atributo.

De certa forma, creio que seja mesmo um sinal de Lugus, porque, tal como em setembro de 2015, neste setembro de 2017 também procuro uma forma de reconectar aos deuses, espíritos, e ancestrais, ainda que, desta vez, seja um recomeço quase a partir do metafórico “zero”. Quiçá, desta vez, ele me volte a guiar para uma solução. O tempo o dirá, certamente.

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